Paixão do Cristo Negro em Samambaia

Repórter: Élton Skartazini

Ocorreu, na sexta feira 10/04/2009, na QN 302, Samambaia/DF, a 13ª edição da Paixão do Cristo Negro. Foi um momento apoteótico que envolveu e emocionou a comunidade.

Participaram aproximadamente 700 atores, figurantes, técnicos e pessoal de apoio. O público estimado foi de 15 mil pessoas. O espetáculo apresenta a versão clássica da condenação, morte e ressurreição de Jesus Cristo, mas a cada ano enfoca um tema específico.

Em 2009 se questionou a violência e a criminalidade. Participaram familiares de vítimas da violência mobilizados pelo pai e a mãe de Maria Cláudia, assassinada em 2004, aos 19 anos de idade. “Não podemos permitir que a violência ocorra como coisa rotineira. Queremos mostrar que a vida dos que morreram em condições violentas, como a do próprio Jesus Cristo, não terá sido em vão”, argumentam.


Dr.Charles

Pela segunda vez consecutiva a Paixão do Cristo Negro foi realizada pelo Instituto Brasil Vivo, com recursos do GDF, via emenda parlamentar do deputado Dr. Charles. “Samambaia carece de eventos como este. Por isso os artistas da cidade pleiteiam área definitiva para implantação do ‘Complexo Cultural Samambaia’. Vou somar nessa luta para que consigamos definitivamente essa área cultural”, declara o parlamentar.

Histórico


Cristo Negro

Em 1997, a convite do padre Alberto Trombini, os grupos ‘Juventude, Esperança e Paz’ e ‘Teatro Popular Tucum’, se uniram para representar, pela primeira vez, a Paixão do Cristo Negro. Dessa fusão surgiu a “Companhia Teatral Frutos da Paixão”, incumbida de levar adiante o projeto. Com textos adaptados por Gilberto Alves e direção geral de Verônica Moreno, hoje o grupo tem aproximadamente 400 membros envolvidos com ensaios, produção, cenografia, figurinos, maquiagem, efeitos especiais...

Depois da tradicional Via-Sacra de Planaltina, a Paixão do Cristo Negro é o segundo maior espetáculo teatral a céu aberto no Distrito Federal. “Essa conquista se deve ao voluntariado da comunidade. Quando se investe num projeto desses diminuem as desigualdades, o número de crianças nas ruas e a violência. Com esse trabalho promovemos a inclusão social em Samambaia”, dizem os organizadores.


Público

O espetáculo prioriza olhares que o aproximam da realidade. Cristo é negro, tem a cor da pele que hoje é mais discriminada. As temáticas remontam conflitos universais vividos pela humanidade há mais de 2000 anos, que levou à morte e ressurreição de Jesus Cristo: preconceitos, exploração, discriminação, violência, ganância, miséria...

Em Samambaia essa história milenar sofre ainda influência da estética popular. Além do apelo religioso, a representação expõe o cotidiano das pessoas, com reflexões sobre desigualdades econômicas e sociais, desemprego, violência, discriminação racial e sexual. O público se emociona diante do realismo e grandiosidade do espetáculo.

 

Galeria de Fotos

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