Samambaia volta às aulas em 2009

Repórter: Élton Skartazini


Educação, sabemos, é ouro: vale em qualquer lugar do mundo. Mas quanto vale a educação em Samambaia? Que investimento recebe? E a qualidade do ensino? Esta reportagem traduz em números, informações e opiniões a importância da educação em Samambaia, Distrito Federal, cidade com aproximadamente 215 mil habitantes.

Com o retorno às aulas muitos pais, além da escola, buscam o Conselho Tutelar para garantir a seus filhos o sagrado direito à educação. A carência maior é na pré-escola. “É o efeito funil”, explica o professor e conselheiro tutelar Israel Vieira. “Quanto mais avançadas as séries, diminui o número de alunos. Alguns alunos de Samambaia migram para escolas de Taguatinga, por acreditarem que lá o ensino é melhor”.


Israel Vieira, professor e conselheiro tutelar

A cidade cresce, mas a estrutura educacional não se expande na mesma proporção. Faltam vagas em Samambaia e quase todo o Distrito Federal. Defensor dos direitos da criança e do adolescente, que inclui direito à educação, Israel Vieira se vê “de mãos atadas. Não adianta defender direitos onde não existe estrutura suficiente. Então apelamos para o Ministério Público e a opinião pública”.


Rede pública


Diretor Antônio Magno

Segundo dados da Diretoria Regional de Ensino, em 2008 as 38 escolas públicas de Samambaia atenderam 42.869 alunos, divididos em 1.350 turmas: 18.428 estudavam no turno matutino, 17.702 no vespertino e 6.739 no noturno.

Hoje, a autoridade máxima da educação em Samambaia está nas mãos do Diretor Regional de Ensino professor Antônio Magno Matias Pereira. Foi aluno da rede pública e se formou engenheiro mecânico pela Universidade de Brasília - UnB. “Há 30 anos labuto na educação. Depois de formado me habilitei para o magistério e ingressei no quadro de professores do GDF em 1978. Vim a Samambaia em 2007 a fim de contribuir para melhorar a qualidade do ensino”, declara.


Divisão regional de ensino

Repórter – Como estão os trabalhos na volta às aulas em 2009?
Antônio Magno – Encerramos as matrículas para 2009 em 23 de janeiro. De 31/01 a 02/02 abrimos inscrições através do 156, para preencher as vagas remanescentes. Nos dias 05 e 06/02 atendemos os pais que, por algum motivo, ainda não tinham conseguido matricular seus filhos. No dia 09/02/09 as escolas recomeçam em pleno funcionamento. Na primeira semana de aula os casos pendentes são todos resolvidos.

Repórter - Como o senhor avalia a situação educacional na cidade?
Antônio Magno - Tem evoluído. Assumi a direção em março de 2007 quando, com 400 professores, começamos a implantação do ensino fundamental de nove anos em Samambaia, terceira cidade satélite a fazê-lo, depois de Ceilândia em 2005 e Taguatinga em 2006. Concluímos 2008 com elevado percentual de aproveitamento dos alunos aprovados nas três primeiras etapas de alfabetização. Estamos otimistas para 2009.


A caminho da escola

Repórter - O que Samambaia tem de projetos e programas educacionais para este ano?
Antônio Magno - Nosso trabalho está focado em três aspectos: Gestão Compartilhada, na qual a comunidade escolar escolheu, recentemente, os diretores das escolas, agora com maior autonomia administrativa e financeira; Programa de Educação Integral, com atividades de reforço escolar, culturais, de lazer, formação e cidadania, no contraturno do período regular; Planejamento Político Pedagógico, para diminuir a repetência, evasão e defasagem IDADE X SÉRIE. Implantaremos os programas: ‘Se Liga DF’ e ‘Acelera DF’, em parceria com o Instituto Ayrton, para correção de fluxo na alfabetização e séries iniciais do ensino fundamental; ‘Vereda’, em parceria com a Fundação Roberto Marinho, para séries finais do ensino médio; ‘Ciência em Foco’, para todas as séries do ensino fundamental.


Escola Classe 325

Repórter – É comum no início do ano letivo faltar vagas e professores nas escolas, o que retarda o início das aulas. Como será este ano?
Antônio Magno – Em 2008 foram contratados professores substitutos para que não haja carência de professores nas escolas. Quanto às vagas, os alunos do ensino fundamental e médio serão 100% atendidos em todo o Distrito Federal. Nossa regional enfrenta dificuldades para atender os alunos de 04 e 05 anos, mas trabalhamos para atender a todos dessa faixa etária. A Secretaria de Educação está construindo mais 47 salas de aula: 15 na escola nova da quadra 831; 10 na EC 604; 10 na EC 419; 06 na EC 412; 06 no CEF 507. Todas com entrega prevista para meados de abril. Com isso conseguiremos atender toda a demanda de Samambaia, sobretudo na parte norte da cidade, onde há maior demanda reprimida.


Fila dos meninos

Repórter – E a manutenção e reforma das escolas?
Antônio Magno – Com a descentralização da administração financeira a comunidade escolar tem autonomia para isso, sem ter que esperar pela diretoria de obras para fazer pequenos reparos. Cada escola tem um montante para pagar sua conta de água, luz, telefone e alguns materiais necessários. Equipe gestora, conselho e comunidade escolar estabelecem as prioridades que as comissões de compra e recebimento, compostas por membros dessa comunidade, devem executar. Assim teremos melhor qualidade administrativa e pedagógica nas escolas.

Repórter - E as bibliotecas?
Antônio Magno - Um dos problemas que enfrentamos é a falta de espaço físico nas escolas para instalação de salas de leitura. Onde há espaço incentivamos para que sejam implantadas. Aproveitamos professores e auxiliares readaptados para cuidarem delas.


Esse ano promete

Repórter – Como está a relação das escolas com a comunidade?
Antônio Magno - A população de Samambaia é muito presente na atividade escolar. Procuramos envolver ao máximo a comunidade nos eventos escolares, principalmente agora, com a gestão compartilhada. A orientação da Secretaria de Educação é que as equipes gestoras, com o apoio dos conselhos escolares, conheçam melhor a comunidade a fim de atender seus anseios e necessidades.


Fila das meninas

Repórter – E quanto à acessibilidade e segurança nas escolas?
Antônio Magno – As escolas de Samambaia foram construídas nas entrequadras, sem ruas ou calçadas. Firmamos parceria com a Administração Regional, para melhorar os acessos de carros e pedestres. Investimos nas escolas onde a situação é mais critica, abrindo passagens para que se possa chegar sem maior dificuldade, principalmente os portadores de necessidades especiais. Em 2008 várias escolas foram atendidas com calçadas e mudança do portão de acesso. Outras serão atendidas em 2009, de acordo com o Administrador professor José Luiz Naves. Quanto à segurança, ainda temos problemas de agressões e assaltos nas áreas mais isoladas. A Secretaria de Educação estabeleceu o “Programa de Combate à Violência nas Escolas e Cultura de Paz”. Foram criados Conselhos de Segurança Escolar com a participação dos vários órgãos do governo envolvidos com a questão da violência e segurança. Acreditamos que esses são passos muito importantes para a redução da violência nas escolas.

Sindicato dos professores


José Luiz Sóter

José Luiz Sóter é diretor de comunicação do Sindicato dos Professores do Distrito Federal – SINPRO/DF, onde implantou o Fórum de Mídias Comunitárias em Defesa da Escola Pública. Nasceu em Catalão-GO e se fixou em Brasília em 1977. É graduado em Licenciatura em Técnicas Agrícolas pela UFG. Entrou na rede pública de ensino em 1978. Leciona comunicação radiofônica no Proem.

Repórter - Quais as perspectivas do SINPRO para 2009? Quantos professores existem na base sindical e quantos são associados?
Sóter - O início das aulas se dá numa perspectiva de valorização da escola pública. Boas iniciativas pedagógicas, destaques positivos das escolas e mobilização da categoria para a melhoria nas condições de trabalho e salário são prioridades para o sindicato, que congrega 36 mil filiados dentre os aproximadamente 42 mil professores e professoras do Distrito Federal.

Repórter - Qual o grau de satisfação dos professores da rede pública de ensino?
Sóter - Existe certa insatisfação quanto às condições de trabalho, que inclui relação conflituosa com gestores e superlotação de turmas. Certa satisfação com o resultado da dedicação de cada um, que se reflete no crescimento do estudante. O professor do DF é o mais qualificado do Brasil. Quase todos são graduados, especializados, mestres e doutores. Porém, das categorias de nível superior é a que recebe menor salário. Um professor-doutor ganha praticamente a metade do que ganha um médico-doutor.

Repórter - Do ponto de vista do sindicato, quais os pontos fortes e fracos da rede pública de ensino?


No pátio

Sóter - Como ponto forte, a qualificação e dedicação dos profissionais. Os pontos fracos estão relacionados às condições de trabalho, falta de valorização por parte do GDF e dos meios de comunicação, que divulgam o que de ruim acontece nas escolas, sem valorizar iniciativas pedagógicas inovadoras. Ou seja: a boa escola não aparece fora dos muros. Essa falta de visibilidade provoca baixa autoestima entre alunos que renegam a própria escola em que estudam. Para comprovar, basta ver nos shoppings de Brasília alunos das escolas particulares que por ali passeiam exibindo seus uniformes. Já os alunos da escola pública, assim que toca o sinal correm para trocar a camiseta, para não serem identificados. Para reverter essa situação é preciso que o governo, mídia e Sinpro façam campanha de valorização da escola pública. Aluno valorizado sente orgulho e preserva sua escola. Cuida para que ela melhore sempre.

Repórter - Há algum chamado à paralisação ou greve em curso?
Sóter - Sim, estamos com um calendário de mobilização pelo cumprimento do artigo 32 do plano de carreira que prevê reajuste de no mínimo 19,98%, acompanhando o reajuste do Fundo Constitucional. Teremos plenárias regionais, atos públicos e na assebléia do dia 7 de abril poderá ser decretada a greve por tempo indeterminado se o GDF não cumprir a lei.

Repórter - Quais os investimentos do sindicato em favor da qualidade de ensino? Existe alguma ação voltada para Samambaia?
Sóter - A função do sindicato é organizar e defender os professores. Denunciamos más condições de trabalho e apontamos soluções a serem implementadas pelo GDF, de acordo com o sentimento dos professores. As ações do Sinpro abrangem todo o Distrito Federal, a não ser que haja caso isolado em determinada cidade para que se faça presente naquela situação.


Escolas particulares


Professor Clayton Braga

Diretor pedagógico e administrativo do Centro de Criatividade Infanto-juvenil – CCI, Clayton Braga fala sobre a rede de ensino particular em Samambaia. É formado em letras e tem oito pós-graduações em gestão de empresas e gestão educacional. Foi conselheiro pedagógico do Sindicato das Escolas Particulares do Distrito Federal.

Repórter - Hoje Samambaia dispõe de ensino particular da pré-escola à faculdade. Que escolas são essas e qual o total de alunos que atendem?
Clayton – Temos aqui nove escolas particulares credenciadas pela Secretaria de Educação: Centro de Criatividade Infanto-juvenil – CCI, Vital Brasil, Logus, Maria Regina, Senso, Educativo, Ativo, Criativo e Ravelo. Dispomos de duas faculdades: uma presencial, o Instituto de Educação e Ensino Superior de Samambaia – IESA, e uma semipresencial, a Michelanagelo-Unopar, com sistema de teleconferência, ministrada no CCI. Além dessas, existem aproximadamente 30 escolinhas voltadas à educação infantil que, apesar de não credenciadas, cumprem importante papel social. Aproximadamente 10 mil alunos freqüentam as escolas particulares de Samambaia.

Repórter – São quantos professores e qual é a faixa salarial?
Clayton – São aproximadamente 400 professores, que recebem entre R$ 500,00 e R$ 3.500,00, dependo da carga horária e do nível em que trabalha.

Repórter - Qual o custo mensal, incluindo mensalidade, material didático, uniformes, para um aluno que freqüenta escola particular em Samambaia?
Clayton - No ensino regular as mensalidades variam de R$ 140,00 a R$ 400,00 reais. O material escolar pode custar até R$ 1.200,00.

Repórter - Na sua avaliação, quais os pontos fortes e quais os pontos fracos da rede particular de ensino em Samambaia?
Clayton – Vejo como pontos fortes o fato que, das nove escolas credenciadas, boa parte delas investe na melhoria da estrutura física e pedagógica, capacitando professores e buscando materiais especiais, como o Sistema Positivo de Ensino e o COC. O CCI se orgulha de estar entre as oito melhores escolas do Distrito Federal, pela estrutura física e pela média de alunos aprovados no PAS. O ponto fraco é que as escolas irregulares praticam concorrência desleal: não recolhem impostos e nem pagam salários da categoria aos professores. Há casos até de contratarem professores sem formação.


Colégio CCI

Repórter - Existem ações de destaque na relação das escolas particulares com a comunidade de Samambaia? Quais?
Clayton – Prefiro responder essa pergunta apenas em nome do CCI. Nossa escola apóia, de várias maneiras, o desenvolvimento social, cultural e ambiental da cidade. Em 2005 demos início ao projeto Monumentos para Samambaia, com o propósito de instalar obras de arte nos balões e principais entradas da cidade. Somos parceiros da Escola Classe 415, da creche Lar Mãe da Divina Graça e da ONG Assistência Social Casa Azul. Participamos do movimento Amigos dos Parques, que visa revitalizar, recuperar e preservar os parques Três Meninas, Gatumé e Boca da Mata. Desenvolvemos projeto ambiental motivando pais e alunos a plantarem árvores na cidade. Apoiamos na construção de templos religiosos. Mas considero que os principais fatores de desenvolvimento proporcionados pelas escolas particulares de Samambaia são a oferta de conhecimento e a geração de empregos diretos e indiretos.


find aveyond game best. download aveyond 2 game latest. find the aveyond game.