Banda DF 130-2: pop-rock de
Samambaia para o Distrito Federal

Repórter: Élton Skartazini


Adriano Candango (53), vocalista, compositor e arranjador é, literalmente, o pai da banda DF 130-2, que além dele tem: Fausto Carcará (27), guitarrista, violonista, compositor e arranjador; Caio César (19), baterista; CS Silva (27), percussionista; Marcelo Albuquerque (26), baixista, compositor e arranjador; Adriana Carolina (22), contatos e produção. Adriano é pai biológico do Fausto, Caio e Adriana.

Com um repertório pop rock irreverente e descontraído, apresenta composições próprias e releituras de clássicos da MPB. O trabalho resplandece gradativamente cativando o público em festivais, encontros culturais e eventos comunitários. Pretendem se afirmar a partir de Samambaia/DF, cidade onde se instalaram em 2004.

“Samambaia é uma cidade jovem com bastante atenção governamental. Víamos seu desenvolvimento ainda quando morávamos na Estância Planaltina e tínhamos interesse de mudar para cá. O horizonte à nossa frente tem aqui seu ponto de partida. Queremos ser úteis e representar essa que se tornou nossa cidade”, explica Adriano Candango.

Encontro Cultural em Planaltina - 2008
Banda DF 130 -2


Surgimento da banda

A história da banda começou em 1994, no loteamento Estância Planaltina, Distrito Federal, onde residia Adriano Candango com seus filhos Fausto, Caio e Adriana, atuais componentes da banda DF 130-2. Nos anos 90 a rodovia próxima àquela localidade se chamava DF 130, daí o nome inicial da banda: ‘DF 130’. Posteriormente a rodovia mudou para DF 128 e a banda passou a se chamar DF 130-2, o que, matematicamente, se equivale a DF 128.


Adriano Candango

Nesse loteamento havia uma escola improvisada cuja diretora Silvana, com apoio da então secretária de educação Eurides Brito, implantou a Escola Classe Estância Planaltina, inaugurada em 1994. Nela estudavam os filhos do Adriano Candango. No início do ano letivo a diretora convocou pais e mestres e pediu que os pais ajudassem na capina das ervas daninhas em volta da escola. No corpo docente não havia mão-de-obra masculina, portanto essa ajuda seria muito bem vinda.

Vários pais se dispuseram à ação, menos Adriano Candango, por acreditar que essa tarefa era da competência dos servidores da rede educacional. Contudo, no dia marcado para a capina resolveu participar, afinal, ali estudavam cinco filhos seus. Mas ao entrar com a enxada nas mãos percebeu que dos pais que se prontificaram, apenas dois compareceram ao trabalho: seu Otaciano e seu Mineiro. Ambos, quando o viram, comentaram: “chegou um e forte!” Adriano respondeu: “vamos capinar tudo isso hoje!”.

Ao ver a empolgação de Adriano a diretora falou:
- Que bom que o senhor veio nos ajudar, pai. Qual é seu nome?
- Adriano.
- Não consta na lista, mesmo assim obrigada por ter vindo. O senhor é pai de quem?
- Tenho cinco filhos nessa escola: Fausto, Regilane, Caio, Adriana e Tobias.
Ela observou:
- O Fausto tem dificuldade com as matérias, mas no colégio novo vai dar tudo certo.
- É que sou analfabeto – explicou ele - e não consigo ajudá-los nos deveres de casa.
- O senhor não é analfabeto. Se quiser posso matriculá-lo na sexta série. É só passar seus dados e já começa na primeira turma do colégio. Aproveite, o senhor vai gostar!
Adriano fez rápida análise da sua situação acadêmica:
- Com 38 anos de idade, há 06 anos cabo reformado do Corpo de Bombeiros Militares do Distrito Federal, 22 anos sem freqüentar escola, cabelos brancos, encarar uma sala de aula com crianças de 12 anos?! Nunca pensei nessa possibilidade! Como posso provar que em 1972 parei de estudar no primeiro ano ginasial, em Recife/PE?
Disse a diretora:
- Não se preocupe, coloco o senhor na sexta série e, caso não se adapte, muda para a série que lhe for mais conveniente. Fale seu nome!
A partir daí a vida de Adriano mudou radicalmente. Logo estava adaptado à sexta série, ciente de que o caminho do aprendizado não tinha mais volta.

O despertar pra música


Duelo de guitarra e baixo

Certo dia de 1994 dois vizinhos, Betinho e Edmar, cada qual com um violão, passaram pela casa de Adriano ao se dirigirem para uma aula com o Marquinhos, que ensinava o pouco que sabia aos membros da igreja Santa Luzia. Adriano perguntou:
- Edmar, será que eu, sem nunca ter tentado, posso aprender tocar violão?

Edmar, hoje músico nas noites de Brasília, respondeu:
- Cabo, se você comprar o violão e encarar pra valer, não há idade para aprender. Nós estamos aprendendo agora. Meu sonho é ganhar um salário como músico e para isso vou me profissionalizar.

Adriano pechinchou e comprou o violão usado de um garoto protestante que, ao completar 14 anos, sua mãe o presenteou com um violão novo. Mas na aula do Marquinhos ficou surpreso ao saber que aquele não era um violão e sim uma viola tonante de 10 cordas, que o próprio Marquinhos jamais havia tocado. Foi orientado a levar a viola pro marceneiro Deijari, luthier de mão cheia, que a transformou num violão.


Caio batera

A princípio Deijari não quis consertar, reclamando da desvalorização da atividade e que por isso pretendia abandoná-la. Dona Lena, sua esposa, mostrou um álbum de fotografias de baixos, guitarras, baterias, etc., por ele fabricados ou concertados.

Sentindo-se no local certo Adriano argumentou:
- Tenho 38 anos, voltei a estudar para não decepcionar meus filhos e quero aprender tocar um instrumento por perceber o valor disso e você, com uma arte tão linda como essa de fazer instrumentos musicais me diz que quer parar?! Não acredito que você está disposto a atrapalhar o desenvolvimento artístico do Brasil pela falta de persistência...

Dona Lena interveio:
- Conserta pra ele Deija. Ele está muito empolgado.
Deijari propôs que Adriano voltasse na quarta-feira para apanhar o violão, que seria concertado por R$ 5,00. Na quarta ele falou:
- Aqui está seu violão. Sempre que precisar pode trazer que eu conserto!

Em 1996, após muitos retornos para consertar instrumentos, um dia Adriano foi recebido pelo casal e dona Lena falou:
- Resolvemos abrir uma loja de instrumentos musicais. Afinal é isso que o Deija sabe e gosta de fazer de verdade. Foi você quem nos motivou a encarar essa empreitada. Sabemos que será difícil, mas não tem outro jeito.

Antes disso, no dia 13 de agosto de 1994, numa aula de violão de baixo de um pé de goiabinha do cerrado que havia no quintal da casa do Adriano, seu filho Fausto se mostrou interessado na aula. Então Adriano perguntou pro professor Marquinhos se o Fausto, com 13 anos, poderia também assistir as aulas.
- É até melhor começar logo – respondeu Marquinhos. Nessa idade aprende mais fácil.
Adriano chamou seu filho:
- Quer aprender tocar violão comigo? Pra mim será muito bom, pois vou ter que me esforçar para te acompanhar.

Shows e festivais


Fausto Carcará, Instrumentista e vocal

Em 1997, cursando o primeiro ano do ensino médio no Colégio Agrícola de Brasília em Planaltina, uma amiga de turma propôs que Adriano cantasse, pois isso lhe facilitaria a aprender tocar. Acatando a sugestão ele, Fausto e Ismael, aluno do terceiro ano, fizeram a primeira apresentação da banda. O Fausto tocava um instrumento de latas criado por ele próprio. O Ismael tocava o violão do Adriano, que cantou ao microfone pela primeira vez. A apresentação foi gravada pela TV Educativa no teatro com mais de 500 pessoas que compareceram à festa de aniversário do colégio.


Adriana Carolina, contatos e produção

Entusiasmado com a apresentação Adriano convidou outro visinho seu, o Maurício, músico clássico, compositor, professor de matemática e atualmente policial federal, para participar do grupo. Mesmo sem experiência ele topou. Adriano estava encantado com a possibilidade de cantar e procurou um instituto musical onde se matriculou com seus filhos: ele e Adriana aprenderiam canto; Fausto e Caio César, violão.

No primeiro dia de aula perguntou à professora:
- Serei eu um cantor? Minha vizinhança comenta que sim e eu tenho acreditado...
Ela respondeu:
- Só o tempo dirá. Conhecemo-nos hoje, mas desde já esclareço que a academia só serve para aperfeiçoar quem nasce com o dom.

Seis meses depois a professora propôs que Adriano tirasse a carteira de músico, pois poderia precisar. Ele pagou mais seis meses de aulas, com uma alteração: Caio César, que tocava timbal com a DF 130–2 em eventos da comunidade, passou a estudar bateria.


4º Festival de Música Popular de
Samambaia - 2008

Em 2000, há um ano na carreira musical, Adriano se habilitou na Ordem dos Músicos do Brasil, como cantor popular. No começo o professor Marquinhos participava do grupo. Certo dia assumiu seu dom de desenhar letras e tem hoje uma empresa de serigrafia na Estância Planaltina/DF.

Após 14 anos de história marcada por prêmios como no festival de música Finca/UNB em 2002, o grupo está motivado a continuar firme nessa caminhada. O DF 130–2 se apresenta em shows e festivais, conquistando fãs e admiradores.

Bom espetáculo!


CS Silva, percussionista

Marcelo Albuquerque, baixista

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