Secretário do GDF recebe demandas para
valorizar o centro urbano de Samambaia

Estava presente o Francisco de Assis, presidente da Associação Comercial e Industrial de Samambaia – ACIS e outros empresários que investem nessa parte da cidade. O assunto girou em torno dos investimentos solicitados pelo Movimento de Valorização do Centro Urbano de Samambaia. No final o secretário concedeu a seguinte entrevista:

Repórter – Temos ouvido muitas vezes falar, nas esferas governamentais do GDF, que Samambaia é a ‘bola da vez’. O que quer dizer ‘a bola da vez’?
Zé Humberto – Samambaia nasceu com um planejamento espetacular e tem desenvolvimento diferenciado. As outras cidades do Distrito Federal começaram a crescer do centro para as áreas periféricas. Em Samambaia só agora é que começa o adensamento no centro urbano. A cidade se estaca também pelas condições topográficas, geográficas e de integração viária. Dispõe de grandes áreas vazias, é plana, as avenidas são largas e tem saídas para todos os lados, o que a torna uma cidade pólo. Quando existe um estrangulamento populacional numa cidade as pessoas migrarem para outra cidade. Foi o que ocorreu com Taguatinga em relação a Ceilândia na década de oitenta. Hoje Samambaia vive o que Ceilândia viveu na década de oitenta, com a diferença que é uma cidade moderna, planejada.

Repórter – O Movimento de Valorização do Centro Urbano de Samambaia teme que Samambaia se perpetue como cidade dormitório, sem autonomia econômica e cultural. Propõe que ocorra aqui o ‘adensamento’ e não o ‘amontoamento’ urbano. Quais as chances de sucesso aos ideais desse movimento?
Zé Humberto – A visão dos urbanistas modernos é que as cidades precisam gerar ocupação dentro da suas próprias regiões, caso contrário há grandes demandas, sobretudo de deslocamento das pessoas em função do trabalho e dos estudos. Samambaia será uma cidade consolidada dentro dessa perspectiva moderna. Volto ao exemplo de Taguatinga que se transformou na ‘metrópole regional’ porque teve a pujança econômica aliada ao crescimento urbano. Vejo Samambaia com essa mesma condição. Fico impressionado com o desenvolvimento das empresas locais. Estamos aqui agora na Distribuidora Rio Preto e acabo de conversar com o diretor do Home Center Castelo Forte. São duas grandes empresas localizadas no centro de Samambaia, que oferecem produtos e geram empregos necessários. Cada vez menos os moradores precisam sair da cidade para fazer suas compras ou buscar emprego. A cidade será menos dependente à medida que obtém auto-suficiência. Riqueza gera riqueza e as pessoas adquirem satisfação e amor pela cidade.

Repórter – O que faz o GDF para que Samambaia alcance esse ideal?
Zé Humberto – É extraordinário o que o GDF faz em favor desse ideal. Estive ontem com o administrador José Naves e ele me informou que existem 19 obras em execução na cidade. Outras 52 obras estão licitadas, das quais liberamos 25 nessa semana para serem imediatamente iniciadas. São obras de infra-estrutura que melhoram a qualidade de vida da população. Mas temos que criar também obras estruturantes, que dão sustentação ao desenvolvimento econômico. Vejo esse Movimento de Valorização do Centro do Centro Urbano de Samambaia como algo legítimo, porque nessa região estão se implantando empresas e prédios habitacionais. É necessário que o governo implante a infra-estrutura. A visão do governo é diminuir as desigualdades sociais. O Distrito Federal detém um dos maiores poderes aquisitivos e uma das maiores desigualdades sociais do Brasil. Então a alternativa do governo é investir nas cidades que têm potencial de desenvolvimento para gerar emprego perto da casa dos trabalhadores, que evite a grande demanda por transporte e faça com que as pessoas vivam bem nos lugares onde moram. O governador Arruda tem essa visão e os investimentos do GDF são direcionados com essa perspectiva.

Repórter – Que atitude será tomada a partir dessa demanda que hoje lhe foi apresentada de infra-estrutura para o centro urbano de Samambaia?
Zé Humberto – Vamos reconhecer o projeto que se encontra entre a Novacap e a Secretaria de Obras, mensurar os investimentos, discutir com o grupo responsável pelo movimento e levar ao governador para que ele, ao reconhecer o potencial de retorno econômico e social, tome a decisão de colocar na pauta de 2009 as medidas de valorização do centro urbano de Samambaia que o movimento reivindica.
Repórter – Finalmente, também como grupo integrante do Movimento pela Valorização do Centro Urbano de Samambaia, os agentes culturais da cidade reivindicam a demarcação de área para a implantação do Complexo Cultural na quadra 301. Qual é sua posição a respeito desse assunto?

Zé Humberto – Primeiro eu queria dizer que o governador Arruda assinou recentemente o projeto que fortalece o Fundo de Apoio à Cultura – FAC. Essa é a primeira unidade da federação que tem um fundo dessa natureza decretado pelo governador, com verba carimbada. Ainda em 2008 teremos R$ 06 milhões e em 2009 teremos R$ 38 milhões de investimento na cultura. O governador Arruda fez uma provocação: “mais importante do que liberar o dinheiro é saber como será usado”. Ele quer que esse dinheiro seja usado mais para ressaltar a arte e a cultura das regiões administrativas, do que a cultura elitizada. As demandas para a utilização desse dinheiro virão dos conselhos de cultura das cidades satélites. Com relação ao Complexo Cultural, com o advento das vilas olímpicas e das tendas culturais em implantação no Distrito federal, todo o projeto de casa cultural será readaptado. Ao término desses projetos veremos o que ainda precisa ser feito. Talvez um anfiteatro, uma biblioteca, um cinema... Vou ler com muito carinho a ‘carta aberta’ sobre o Complexo Cultural de Samambaia, porque a cultura na sua essência é um braço da educação e o governador Arruda tem como prioridade o investimento na educação. Tudo o que for para educar melhor o povo terá nossa máxima atenção.